Webinar do Mês: Diagnóstico de FIV e FeLV - Do Rastreio à Confirmação

Webinar do Mês

Diagnóstico de FIV e FeLV - Do Rastreio à Confirmação

Webinar do Mês: Diagnóstico de FIV e FeLV - Do Rastreio à Confirmação, apresentado pela Dr.ª Inês Cunha Machado dia 10 de Abril de 2026.

Introdução e Contexto Epidemiológico

  • Prevalência em Portugal: O país apresenta taxas elevadas de infeção; no caso do FeLV, um estudo europeu coloca Portugal no topo com uma prevalência de 8,8%.

  • Fatores de Risco: A alta incidência deve-se ao elevado número de gatos errantes, animais não castrados, acesso ao exterior sem proteção (vacinação/esterilização) e grupos de gatos em abrigos não rastreados.

  • Diferenças entre Vírus:

    • FIV: Transmissão ocorre principalmente por mordeduras (sangue e saliva) em lutas territoriais ou de acasalamento. É um vírus pouco resistente no ambiente.

    • FeLV: Transmissão "amigável" via saliva (lambidelas, partilha de taças), além de vias oronasal, transplacentária e pelo leite. Resiste um pouco mais em condições húmidas, mas é sensível a desinfetantes.

Testes de Diagnóstico e Rastreio

  • Métodos Comuns:

    • FIV: O teste rápido deteta anticorpos (resposta imunitária).

    • FeLV: O teste rápido deteta o antigénio (partícula viral P27).

  • Quando Testar: Todos os gatos recém-adquiridos, gatos doentes (mesmo com testes negativos prévios), após exposição a gatos de estatuto desconhecido, antes da vacinação contra FeLV e antes de doação de sangue.

  • Mitos e Limitações:

    • Não há idade mínima para testar, mas deve-se cautela com gatinhos jovens devido aos anticorpos maternais (podem causar falsos positivos para FIV até aos 6 meses).

    • Janela de Infeção: Deve-se esperar pelo menos 30 dias para FeLV e 60 dias para FIV após um contacto de risco para evitar falsos negativos.

Estadiamento

FIV (Lentivírus)

  • Fase Aguda: Febre, anorexia e gânglios aumentados (1-3 meses).

  • Fase Assintomática: Pode durar anos; o vírus replica-se pouco, mas há uma diminuição progressiva das células de defesa.

  • Fase Clínica: Surgimento de infeções oportunistas, doenças orais, tumores e alterações neurológicas.

FeLV (Gama-retrovírus) - 4 desfechos

  • Infeção Abortiva: O gato elimina o vírus antes da integração no genoma; testes de antigénio e PCR dão negativo.

  • Infeção Regressiva: O vírus integra-se no DNA (provírus), mas a replicação é contida. O PCR é positivo, mas o antigénio é geralmente negativo (baixo risco de transmissão).

  • Infeção Progressiva: Infeção sistémica e persistente. Antigénio e PCR são consistentemente positivos. Prognóstico reservado e alto risco de transmissão.

  • Infeção Focal: Infeção atípica restrita a tecidos específicos (ex: baço). Resultados de testes podem ser intermitentes ou discordantes.

Gestão do Gato Positivo

  • Plano de Vigilância: Monitorização semestral (hemograma é essencial), nutrição de qualidade e gestão rigorosa do stress para evitar a reativação viral.

  • Profilaxia: Manter o gato no interior, garantir desparasitação e um plano vacinal ajustado.

  • Abordagem Clínica: O diagnóstico é dinâmico; um único teste rápido pode não ser suficiente, sendo o PCR quantitativo uma ferramenta crucial para esclarecer o estatuto atual e a carga viral.

Notas finais

  • A experiência e os dados locais são fundamentais, pois a prevalência varia entre regiões, influenciando a interpretação dos resultados.

  • O webinar seguinte focar-se-á especificamente na abordagem terapêutica e clínica dos pacientes que testam positivo.

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